O dia 13 de dezembro amanheceu chovendo. E muito. Primeira decepção: Laura queria
mergulhar com os tubarões, mas foi logo sendo avisado que com chuva e
tanto vento, tal aventura não seria possível. Não entendi nada: se é para mergulhar, por que deveria
estar fazendo sol? Ok. Sem mais. Plano B. Resolvemos pegar um ônibus turístico
– aquele que você sobre e desce onde você bem entender, fica por quanto tempo
quiser e espera pelo próximo. Sei que tem muita gente que odeia, mas acho uma
boa maneira de entender a cidade ou, se tiver pouco tempo para isso, ticar
todos os lerês em um só dia. Os nossos objetivos eram subir até a Table Montain
e visitar o aquário e o Museu da História Africana. A parte dedicada à
arqueologia é muito
interessante. Cobre milhares e milhares de anos – e já que todos nós
descendemos de um africano, é de sempre de bom tom conhecer nossos
tritritritriavós.
Pinturas rupestres, lindas. Modos de vida, vestimentas,
artefatos de uso cotidiano. Tudo didaticamente exposto com maquetes e bonecos
em tamanho natural. No segundo andar do museu o foco era a vida marinha. Um
lixo. Tirando um esqueleto real de uma
enorme baleia Jubarte, o resto dos bichos era de plástico. E muito mal feitos.
Segunda parada: uma igreja que ficava no District Six e hoje
também é um museu. O bairro concentrava uma grande diversidade de raças e
etnias e quando o governo aprovou uma lei que proibia relacionamentos
inter-raciais, 60 mil pessoas foram desalojadas e transportadas para a periferia
da cidade. Todos os edifícios, com exceção das igrejas e mesquitas, foram
destruídos e até hoje existem imensas áreas que nunca foram ocupadas pelo
governo de então. Um pensamento recorrente é que tais áreas deveriam permanecer
assim, tomadas pela grama e ervas daninhas, para que ninguém se esqueça do que
foi feito ali.
Terceira parada, não paramos. Meu pé precisava de um
descanso. Quarta parada – não, ainda não morri, Table Mount – o teleférico
estava fechado. Tudo nublado. Pena. Volte outro dia. Hãhã.
Quinta parada, o
Aquário. Enquanto Laura foi comprar os ingressos eu, fumando um cigarrinho, dei
falta dos meus óculos escuros. Fui até o ônibus e o motorista pediu o ticket do
tour. Estavam com a Laura. Fui buscar. Voltei e ao ver o bus partindo dei adeus
a um belo Vuarnet de estimação.
O aquário vale a visita. Já na entrada, alegria da
criançada, um espaço só para os nemos. Tudo é organizado por oceanos. Tem sala
para o Índico, para o Atlântico, para o Pacífico. Só achei falta de uma sala
para o Mar Morto. No final, a sala mais esperada: os tubarões. Lotada. Dois
mergulhadores alimentavam os bichos. Na boa. Com eles também convivem
tartarugas gigantes e outros peixes (mais informações, a Laura atende em
horário não comercial).
De novo, e agora sob o sol e sem óculos escuros, fomos
almoçar. Comemos pouco, porque eu tinha uma recomendação sobre um restaurante
imperdível (estou acreditando que meus amigos que me recomendam restaurantes
viajam sempre na pessoa jurídica), um tal de Moyo.
Gente, era longe demais. Quase 500 rands só de táxi para ir
e voltar. O ambiente, bacana. O cardápio, incompreensível. Perdido por perdido,
perdido e meio, pedi uma carne. Prato típico sul-africano. Very nice – opinião
do garçom. Tudo bem, tá no inferno abraça o capeta. O prato chegou com duas
coxas de um ser que eu não identifiquei nem pelo sabor nem pelo aspecto. A
Laura perguntou ao garçom: springbok. Ah! Uma espécie de antílope, porém
pequena.
- Mãe, você comeu o bambi.
Você sabia?
Um dos animais mais temidos por qualquer ser humano racional
é o tubarão branco. Aqui na Cidade do
Cabo eles infestam os mares e servem de atração turística. Porém, a fama de
assassino dos mares é injustificada porque o animal que mais mata na África não
é o tubarão branco e sim o hipopótamo(!!!).Isso mesmo, o singelo animal que
aparece dançando balé no clássico da Disney Fantasia é o grande terror
africano. Enquanto os tubarões matam de 30 a 100 pessoas por ano os hipopótamos
matam mais 200. Mas o animal mais mortífero do planeta é o mosquito, grande
disseminador de doenças, ele mata mais 2 milhões de pessoas por ano. Não se
esqueçam do repelente!
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