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Depois de adentar em uma cidade subterrânea, entendi: claustrofobia é uma doença moderna. Assim como a obesidade. Quando você chega é até bonitinho. Uma escadinha civilizada e alguma luz recebe os visitantes. Vai nessa. Conforme a turba vai virando tatu, o negócio vira um sufoco. Caraca! Os mais altos se abaixam, os mais gordos entalam e você, lá atrás, sem saber o que esperar.
As cidades subterrâneas da Capadócia começaram a ser construídas pelos Hititas. Em tempos de guerra, era preciso se virar para viver mais um pouquinho. A que eu visitei tinha 8 andares para baixo - quase 100 metros de profundidade. Não, eu não passei do segundo. Nem eu nem ninguém. Medidas de segurança são sempre bem-vindas.
Para olhos estranhos, aquela obra de engenharia parece impossível de ser realizada sem auxílio das máquinas de fazer metrô. Acontece que a região é formada por rochas vulcânicas, porosas e fáceis de escavar. Ali tem de tudo que um apartamento de hoje apresenta: lugar para cozinhar, para armazenar alimentos, para dormir, para ir ao banheiro, para fazer um social. Tem até poços de água potável e um sistema de ar-condicionado. Sensacional!
Depois que os Hititas, sei lá, foram morar em Miami, as cidades receberam novos habitantes:os cristãos. Como eles também não tinham vida nada fácil na época, aquilo era um paraíso. Seguro, confortável, eficiente. Cada um sabe onde aperta o calo.
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